O sono na pandemia da Covid-19

2 de julho de 2020

De acordo com a revista Pesquisa Fapesp de maio de 2020, apenas nos primeiros quatro meses deste ano 8 mil artigos científicos que tratam da Covid-19 foram indexados pela base PubMed, mais de 70 drogas foram avaliadas contra o Sars-Cov-2 e as primeiras vacinas começaram a ser testadas em humanos. A pandemia misteriosa, que provocou que o mundo se fechasse em quarentenas para retardar o avanço do vírus, e desacelerou economias, ainda gera mais perguntas do que respostas. O medo do desconhecido, a ansiedade, rotinas aletradas e as incertezas gerados pela invasão do novo coronavírus são sentidos nos mais diferentes setores e muitas pessoas estão enfrentando dificuldades referentes a um aspecto essencial para a qualidade de vida e o sistema imunológico: uma boa noite de sono.

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Dados obtidos por cientistas revelam que, nesta fase, as pessoas podem estar dormindo mais, porém tendo um sono de menor qualidade, além de ocorrência de sonhos estranhos. Uma pesquisa recente feita em parceria entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade de Valencia, na Espanha, “Hábitos saudáveis e estilo de vida durante a pandemia de Covid-19”, comprovou que metade dos brasileiros declararam ter sofrido algum tipo de alteração no sono, como a insônia.

Além disso, distúrbios de sono que antecediam a pandemia podem estar se tornando mais evidentes nesta fase e pessoas que nunca tiveram queixas neste sentido podem estar enfrentando os primeiros sinais de que algo não está bem. “O estresse, a preocupação, a mudança de hábitos de vida, o sedentarismo e o distúrbio de ritmo podem levar a períodos de insônia e a sintomas de sonolência em alguns momentos do dia”, explica a médica Dalva Poyares, pesquisadora do Instituto do Sono, de São Paulo.

Considerando que o sono possui dois reguladores, sendo o primeiro o ciclo de luz e a escuridão; e segundo, o cansaço, o neurologista Hernando Pérez, especialista do Centro de Neurologia Avançada da Espanha, explica “se as pessoas acordam mais tarde durante a quarentena, perdem parte da luz do sol da manhã; por outro lado, o fato de estarem trancadas e fazerem menos atividade física gera menos cansaço, o que afetará nosso sono”.

Valorizando o sono

Dr. Geraldo Rizzo, especialista em Neurologia, Neurofisiologia e Medicina do Sono, é enfático na questão da importância e valorização do sono para a qualidade de vida. “As pessoas se preocupam com dieta, atividade física, tentam manter o peso, contratam um personal trainer, mas pouquíssimas pessoas se preocupam com o sono”, explica.

Ainda, segundo o especialista, o Brasil vive em uma sociedade 24 horas, em que a rotina e eventos acontecem tarde, afastando o sono. “Uma desvalorização, que acaba tornando-se o principal empecilho no tratamento ou no reconhecimento dos distúrbios do sono, tanto de médicos como de pacientes”, aponta.

O sono é um processo biológico crítico à saúde física e mental, servindo como importante elemento para capacitar o sistema imunológico, ampliar a capacidade cognitiva, melhorar o humor e a saúde mental como um todo.

Sono e a pandemia

Quando o aumento de casos da Covid-19 resultou em isolamento social e quarentena, a rotina de grande parte das pessoas foi impactada, evidenciando a necessidade – e, para muitos, a dificuldade – de um a boa noite de sono. Selecionamos alguns aspectos relacionados ao sono que foram potencializados durante a pandemia e podem ser comuns entre os pacientes, segundo artigo da BBC News:

  • Mais tempo de sono: ainda que não seja um descanso de alta qualidade, dispositivos de saúde indicam que há pessoas que estão tendo um aumento médio no tempo de sono por noite;
  • Sonhos estranhos ou pesadelos: provavelmente decorrentes do aumento do estresse e ansiedade. O Centro de Pesquisa em Neurociências de Lyon, na França, registrou um aumento de 35% na recordação de sonhos e um aumento de 15% em sonhos negativos. Outra teoria diz que, por conta de dias repetitivos e tediosos, o cérebro se aprofunda no subconsciente em busca de imagens e, muitas vezes, produz surpresas;
  • Irritabilidade: as circunstâncias da pandemia geram desmotivação, falta de interesse e carência de energia, aumentando o grau de irritabilidade ou impotência;
  • Dificuldade de concentração: o fato de não ter que se deslocar ou trocar de roupa para uma rotina mais concreta gera problemas de concentração, além da alta carga de demandas domésticas que antes não eram prioridade;
  • Dificuldade para dormir: o estresse e as incertezas da pandemia são difíceis de suportar, levando a pouco ou nenhum sono e desencadeando uma série de distúrbios;
  • Sonolência excessiva: na contramão da insônia, preocupações excessivas podem gerar a hipersonia;
  • Microdespertares: a falta de tranquilidade pode aumentar a ocorrência de microdespertares entre os ciclos do sono, ou o despertar precoce, impactando na qualidade do sono e de recuperação para o dia seguinte.

Problemas crônicos

Para pacientes com problemas anteriores crônicos, como apneia obstrutiva do sono, e que fazem o uso de aparelhos de “pressão positiva contínua nas vias aéreas” (CPAP, do inglês Continuous Positive Airway Pressure), a recomendação é para a reavaliação da continuidade do tratamento junto a seu especialista. Se decidido pela continuidade do uso, é preciso investir em cuidados extras na higienização do equipamento, já que os aparelhos podem ajudar a transmitir de forma mais fácil o vírus.

Diante das incertezas sobre os novos rumos e consequências da pandemia, uma coisa é fato: queixas em relação ao sono estão crescendo e a tendência é que a busca por auxílio médico especializado deve aumentar.

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Referências:

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