Apneia do sono: riscos e agravamento da COVID-19

1 de março de 2021

Estudos relacionam a Apneia Obstrutiva do Sono com riscos de infecção, hospitalização e morte em pacientes com COVID-19

Análises realizadas em Chicago e New England, nos Estados Unidos, apresentam semelhanças ao relacionar a apneia obstrutiva do sono com um possível agravamento da COVID-19. De acordo com as pesquisas, a AOS (Apneia Obstrutiva do Sono) pode contribuir para desfechos desfavoráveis ​​ao causar ou acentuar quadros de disfunção endotelial, inflamação, estresse oxidativo, microaspiração e lesão pulmonar, aumentando o risco de comorbidades, hospitalização e até insuficiência respiratória.

Pesquisadores da American Thoracic Society (ATS) ressaltam que a idade avançada e os diagnósticos de obesidade, hipertensão, doenças pulmonares ou cardiovasculares são reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde como fatores de risco para a COVID-19. Contudo, a mortalidade e hospitalização nem sempre são explicadas por esses aspectos. A apneia ainda não foi determinada como passível de piora da COVID-19, mas pesquisas como essas podem expandir um pouco mais as linhas de investigação e ajudar a salvar vidas.

O artigo desenvolvido pelos Drs. Matthew Maas e Phyllis Zee, e publicado pelo International Journal of the Science and Practice of Sleep Medicine, mostra que a AOS prevaleceu entre os pacientes que necessitaram de hospitalização e entre aqueles que a COVID-19 evoluiu para uma insuficiência respiratória. Realizada na região de Chicago (EUA), a pesquisa estudou dados obtidos através de um sistema de prontuários eletrônico integrado a 10 hospitais. Desta forma, foi possível avaliar que além de aumentar em aproximadamente 8 vezes o risco de infecção por COVID-19, a apneia eleva a possibilidade de hospitalização e dobra as chances de evolução para um quadro de insuficiência respiratória entre os pacientes com diagnóstico positivo.

A hipótese apresentada pelos estudos americanos também aparece na pesquisa liderada pela Dra. Michelle Miller, da University of Warwick, no Reino Unido. De acordo com o estudo, pessoas com Apneia Obstrutiva do Sono tendem a sofrer complicações causadas pela COVID-19. A doutora sugere que isso pode estar relacionado com a melatonina, hormônio do sono, um fator que pode ser benéfico no tratamento da COVID-19.
A Dra. Miller nos lembra que comorbidades como hipertensão, diabetes mellitus e obesidade são comuns em indivíduos apneicos e também em casos graves de COVID-19. No entanto, os médicos gostariam de determinar se a apneia do sono se configurava como um risco adicional por si só, independentemente de outros fatores. E concluíram que de fato há maiores taxas de doenças pulmonares obstrutivas crônicas, diabetes e hipertensão em pacientes que foram internados em Unidades de Terapia Intensiva e necessitaram de ventilação mecânica ou faleceram.

Divulgada pela ATS e obtida através de dados de um grande sistema de saúde em New England, a pesquisa realizada por doutores da Harvard Medical School, em Boston, Massachusetts, correlaciona a apneia do sono como fator de risco para mortalidade por COVID-19. A amostra de 4.668 pacientes com diagnóstico de COVID-19 (RNA PCR positivo), demonstra que a taxa de mortalidade em indivíduos com apneia do sono chega a 11,7%, enquanto em aqueles em que a síndrome está controlada, a taxa permanece em 6,9%. Por isso, o médico destaca a necessidade de um monitoramento próximo dos pacientes com apneia do sono infectados com o coronavírus.

Diagnóstico e Tratamento

Os artigos são unânimes quanto a relevância do prognóstico de apneia. É de extrema importância para reduzir uma possível gravidade no curso da COVID-19, disponibilizar informações sobre a existência ou não das síndromes do sono nos pacientes.

Uma pesquisa norte-americana, liderada pelo Dr. Maas e Dr. Zee em Chicago, explica a necessidade de uma triagem da apneia obstrutiva do sono para orientar as decisões de tratamento em pacientes com COVID-19. Informações estas que podem ser obtidas através de um instrumento simples como um questionário de quatro perguntas, conforme sugerido pelo Dr. Maas em sua pesquisa, ou com aparelhos de diagnóstico. O equipamento da Neurovirtual, BWIII PSG PLUS para diagnosticar síndromes do sono pode ser um aliado útil neste aspecto, por exemplo.

A Dra. Miller, da Universidade de Warwick, alerta que obviamente a pandemia teve um efeito importante no tratamento, controle e diagnóstico da AOS e, no futuro, pode ser necessário explorar novos diagnósticos e vias de tratamento para esses indivíduos. Já que ainda se trata de uma síndrome subdiagnosticada, potencialmente comum e igualmente prejudicial. A Dra. Miller destaca que pacientes já diagnosticados, mas que aguardam tratamento, podem precisar de prioridade neste momento para mitigar qualquer aumento potencial no risco.

Referências:

Cade, B. E., Dashti, H. S., Hassan, S. M., Redline, S., & Karlson, E. W. (2020). Sleep Apnea and COVID-19 Mortality and Hospitalization. American journal of respiratory and critical care medicine, 202(10), 1462–1464. https://doi.org/10.1164/rccm.202006-2252LE

Maas, M.B., Kim, M., Malkani, R.G. et al. Obstructive Sleep Apnea and Risk of COVID-19 Infection, Hospitalization and Respiratory Failure. Sleep Breath (2020). https://doi.org/10.1007/s11325-020-02203-0

Miller, Michelle A., Cappuccio, Francesco P. (2020). A systematic review of COVID-19 and obstructive sleep apnea, Sleep Medicine Reviews, Volume 55, 2021, 101382, ISSN 1087-0792. https://doi.org/10.1016/j.smrv.2020.101382.

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