{"id":795470,"date":"2019-12-10T18:00:35","date_gmt":"2019-12-10T20:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/?p=795470"},"modified":"2020-02-19T18:53:33","modified_gmt":"2020-02-19T21:53:33","slug":"em-entrevista-a-biologa-maria-lourdes-galicia-polo-especialista-mexicana-em-estudos-do-sono-aborda-a-importancia-dos-exames-domiciliares-de-psghst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/em-entrevista-a-biologa-maria-lourdes-galicia-polo-especialista-mexicana-em-estudos-do-sono-aborda-a-importancia-dos-exames-domiciliares-de-psghst\/","title":{"rendered":"Bi\u00f3loga Mar\u00eda Lourdes Galicia Polo, especialista mexicana em estudos do sono, aborda a import\u00e2ncia dos exames domiciliares de PSG\/HST"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/MA.-DE-LOURDES-GALICIA-POLO_capa.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-795472\" src=\"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/MA.-DE-LOURDES-GALICIA-POLO_capa.jpg\" alt=\"MA. DE LOURDES GALICIA POLO_capa\" width=\"910\" height=\"251\" srcset=\"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/MA.-DE-LOURDES-GALICIA-POLO_capa.jpg 910w, https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/MA.-DE-LOURDES-GALICIA-POLO_capa-300x83.jpg 300w, https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/MA.-DE-LOURDES-GALICIA-POLO_capa-906x250.jpg 906w, https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/MA.-DE-LOURDES-GALICIA-POLO_capa-460x127.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 910px) 100vw, 910px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Formada em biologia, ela estudou para se tornar t\u00e9cnica em polissonografia e medicina do sono na Escola de Medicina do Sono em Palo Alto, Calif\u00f3rnia. Obteve certifica\u00e7\u00e3o como RPSGT da Academia Mexicana de Pesquisa e Medicina do Sono, al\u00e9m de diploma em Dist\u00farbios Respirat\u00f3rios Durante o Sono, pelo Instituto Nacional de Enfermidades Respirat\u00f3rias (INER).<\/p>\n<p><strong>Neurovirtual News: Conte-nos sobre sua carreira profissional e acad\u00eamica?<\/strong><br \/>\n<strong>Maria Lourdes Galicia:<\/strong> Sou bi\u00f3loga de profiss\u00e3o. No come\u00e7o da minha carreira, conduzi estudos do sono em pesquisa b\u00e1sica em animais, no Instituto Nacional de Neurologia do M\u00e9xico. L\u00e1 tamb\u00e9m havia espa\u00e7o para a pr\u00e1tica de medicina do sono cl\u00ednica e acabei me focando nesta \u00e1rea. Dado que a biologia \u00e9 uma \u00e1rea muito ampla, que inclui a medicina e os ritmos biol\u00f3gicos, eu acabei me interessando pelo trabalho voltado ao campo cl\u00ednico, mais do que em pesquisa , e ent\u00e3o comecei a fazer servi\u00e7o social na Cl\u00ednica de Transtornos do Sono, l\u00e1 do Instituto Nacional de Neurologia.<\/p>\n<p><strong>NN: Como \u00e9 o trabalho que voc\u00ea desenvolve junto \u00e0s principais institui\u00e7\u00f5es do M\u00e9xico que trabalham na \u00e1rea do sono?<\/strong><br \/>\n<strong>MLG:<\/strong> Tive a sorte de ter sido convidada para trabalhar junto de pessoas pioneiras da medicina do sono no M\u00e9xico, tendo atuado em diferentes institui\u00e7\u00f5es, com diversos m\u00e9dicos, linhas de pesquisa e especialidades. Trabalhei com neurologia no Instituto Nacional de Psiquiatria, com o Dr. Rafael Salin. Depois, a convite do Dr. Drucker, com quem j\u00e1 havia atuado em colabora\u00e7\u00e3o, fui trabalhar na Faculdade de Medicina da UNAM. Em paralelo, o Dr. P\u00e9rez Padilla, o grande respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Enfermidades Respirat\u00f3rias (INER), tamb\u00e9m me convidou. Embora eu estivesse mais focada em quest\u00f5es neurol\u00f3gicas e psiqui\u00e1tricas do sono, do que nas respirat\u00f3rias, eu aceitei a oferta da INER, ao mesmo tempo em que aceitei outro turno na faculdade de medicina. Acredito que meu amor pelo sono fez com que todas essas pessoas me convidassem para seus projetos, o que me deu uma vis\u00e3o muito abrangente e ampla dos estudos e transtornos do sono, porque pude estud\u00e1-los nos campos da neurologia, psiquiatria, cardiologia e no respirat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>NN: Nessas institui\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da parte cl\u00ednica, de acompanhar pacientes que sofrem de doen\u00e7as do sono, h\u00e1 pesquisas? <\/strong><br \/>\n<strong>MLG:<\/strong> Colaborei com diversas pesquisas. O que temos feito \u00e9 validar uma s\u00e9rie de equipamentos para o estudo do sono, de distintas marcas. Nos encarregamos de fazer valida\u00e7\u00f5es, especialmente de equipamentos tipo 3 e tipo 1, com diferentes grupos de faixas et\u00e1rias. O fato de sermos uma equipe de trabalho especialista em dist\u00farbios respirat\u00f3rios nos permitiu grandes avan\u00e7os, o que deu muita relev\u00e2ncia a esse lugar.<br \/>\nTamb\u00e9m participei de estudos na UNAM voltados a doen\u00e7as neurodegenerativas como pacientes com ataxia espinocerebelar tipo 2, que apresentaram dist\u00farbios do sono como problemas de deambula\u00e7\u00e3o, ins\u00f4nia e movimentos durante o sono. Fizemos um estudo com grupos de pacientes cubanos e de mexicanos, junto ao Dr. Luis Vel\u00e1zquez, que \u00e9 um grande especialista nesta linha de pesquisa em ataxia. Analisamos pacientes que come\u00e7am com a doen\u00e7a, que est\u00e3o no meio da doen\u00e7a e que est\u00e3o no final da doen\u00e7a, e observamos quais foram as mudan\u00e7as e as \u00e1reas mais afetadas em cada grupo. Estes pacientes t\u00eam muitos dist\u00farbios de movimento \u2013 durante o dia eles n\u00e3o conseguem andar, pois tremem muito, mas \u00e0 noite eles t\u00eam mais movimento, resultando em um sono muito fragmentado, impactando no sono REM. Avaliamos a microestrutura do sono, revisamos como se encontravam os fusos de sono, os complexos K e verificamos que ocorre uma diminui\u00e7\u00e3o na quantidade de fusos de sono. Sabemos que os fusos est\u00e3o muito relacionados ao n\u00edvel de coeficiente intelectual em certas pessoas, ent\u00e3o poder\u00edamos fazer uma rela\u00e7\u00e3o com a deteriora\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>NN: Quais os impactos de uma mudan\u00e7a no est\u00e1gio do sono REM e sua fragmenta\u00e7\u00e3o nesses pacientes?<\/strong><br \/>\n<strong>MLG:<\/strong> O est\u00e1gio de sono REM \u00e9 aquele em que ocorre a atonia muscular, ou seja, a atividade muscular \u00e9 reduzida \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o m\u00ednima. Nesta fase, n\u00e3o h\u00e1 atividade motora, pois todo o sistema motor est\u00e1 completamente deprimido para evitar que os sonhos sejam atuados. De fato, se dorm\u00edssemos de p\u00e9, cair\u00edamos na fase REM, porque perdemos completamente o t\u00f4nus muscular.<br \/>\nO que acontece nesses pacientes \u00e9 uma diminui\u00e7\u00e3o na quantidade de REM e a fragmenta\u00e7\u00e3o desse sono. Ao contr\u00e1rio do que acontece com estas pessoas durante o dia, quando t\u00eam dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o e n\u00e3o conseguem controlar os movimentos, no sono REM acabam tendo uma atividade motora excessiva, se movendo mais do que os indiv\u00edduos sem essa condi\u00e7\u00e3o. Eles come\u00e7am a atuar em sonhos, com movimentos nos membros inferiores e superiores, chegando a fazer movimentos como se estivessem caminhando ou batendo. Esse tipo de altera\u00e7\u00e3o \u00e9 observada principalmente em pacientes que sofrem de doen\u00e7as neurodegenerativas, principalmente Parkinson e ataxia.<\/p>\n<p><strong>NN: Que outras pesquisas voc\u00eas desenvolvem?<\/strong><br \/>\n<strong>MLG:<\/strong> Outra linha de pesquisa que temos seguido aqui no INER refere-se \u00e0 an\u00e1lise dos efeitos observados em transtornos respirat\u00f3rios e altera\u00e7\u00f5es cognitivas em diferentes grupos de faixas et\u00e1rias e g\u00eaneros, verificando quais diferen\u00e7as prevalecem nos transtornos de sono.<br \/>\nInvestigamos tamb\u00e9m a ades\u00e3o ao tratamento com CPAP em pacientes com apneia obstrutiva do sono, se h\u00e1 fatores que impactam na ades\u00e3o ao tratamento, como n\u00edvel socioecon\u00f4mico, acad\u00eamico, g\u00eanero ou idade. H\u00e1 uma cl\u00ednica de CPAP onde os pacientes s\u00e3o acompanhados de forma personalizada e s\u00e3o chamados periodicamente. At\u00e9 um ano atr\u00e1s, t\u00ednhamos uma assistente social encarregada de ligar para eles regularmente, perguntando como eles estavam, por que eles n\u00e3o tinham ido \u00e0 consulta, por quanto tempo eles estavam usando o equipamento, quantas horas, se eles tinham mudado suas m\u00e1scaras. Isso permitiu que os pacientes mantivessem o tratamento com CPAP em at\u00e9 90%.<br \/>\nOutra linha de acompanhamento aqui no INER refere-se aos n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono e seus impactos em uma popula\u00e7\u00e3o como a da Cidade do M\u00e9xico, que tem uma altitude de 2.240 metros acima do n\u00edvel do mar. Observamos que os n\u00edveis de CO\u00b2 s\u00e3o muito mais altos do que aqueles relatados em outros pa\u00edses do mundo, motivo pelo qual os pontos de corte em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de CO\u00b2 s\u00e3o publicados tanto nos manuais da academia, como nos manuais de outras sociedades. Na Europa, por exemplo, os cortes s\u00e3o diferentes. \u00c9 dito que n\u00edveis acima de 50 mmHg s\u00e3o aqueles que devem ser considerados para diagnosticar um indiv\u00edduo com hipoventila\u00e7\u00e3o noturna, no entanto, aqui os n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono para considerar um sujeito com hipoventila\u00e7\u00e3o devem estar acima de 45 mmHg, sendo que o ponto de corte normal seria 35.<\/p>\n<p><strong>NN: E as pesquisas com crian\u00e7as?<\/strong><br \/>\n<strong>MLG:<\/strong> Na UNAM tamb\u00e9m trabalhamos com crian\u00e7as. Desenvolvemos linhas de pesquisa com beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos e crian\u00e7as com problemas respirat\u00f3rios, e encontramos rela\u00e7\u00f5es importantes que foram relatadas em outros pa\u00edses. Encontramos uma ocorr\u00eancia maior de crian\u00e7as com problemas respirat\u00f3rios, principalmente, apneia central, filhos de m\u00e3es muito jovens, quase na adolesc\u00eancia, e de m\u00e3es com mais de 45 anos. Em muitos casos, a apneia desaparece. No entanto, n\u00e3o acompanhamos o que acontece com o desenvolvimento neurocognitivo dessas crian\u00e7as em longo prazo. Pensamos que provavelmente se trata de um evento fisiol\u00f3gico, parte do desenvolvimento ou neurodesenvolvimento dessas crian\u00e7as e que n\u00e3o a afetar\u00e1, mas \u00e9 algo que precisa ser mais estudado. Tamb\u00e9m observamos muita hipoxemia intermitente nestas crian\u00e7as. Isso significa que a porcentagem de oxig\u00eanio sobe e desce durante o sono, com um \u00edndice muito alto por hora de sono. Crian\u00e7as com apneia obstrutiva do sono com hipoxemia intermitente t\u00eam um dano cardiopulmonar importante, podendo gerar hipertens\u00e3o pulmonar, principalmente naquelas que n\u00e3o s\u00e3o tratadas.<br \/>\nAinda precisamos aprofundar muito os estudos. Mas temos limita\u00e7\u00f5es com esse tipo de popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil fazer um registro dos beb\u00eas durante toda a noite para serem estudados. E, principalmente, se quisermos manter um registro por mais tempo ou mais noites. Os pais n\u00e3o quererem se deslocar para o laborat\u00f3rio sempre.<\/p>\n<p><strong>NN: Voc\u00ea acredita que exames domiciliares podem fazer com que pacientes que n\u00e3o t\u00eam acesso a um exame de polissonografia busquem um diagn\u00f3stico de qualidade?<\/strong><br \/>\n<strong>MLG:<\/strong> Claro que sim! A medicina do sono est\u00e1 se simplificando e se tornando mais acess\u00edvel, permitindo diminuir as listas de espera nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica, especialmente no M\u00e9xico. Temos listas de espera de at\u00e9 um ano, com agenda completa de segunda a domingo. Assim, buscamos identificar adultos com transtornos respirat\u00f3rios, como apneia obstrutiva do sono, e sem comorbidades, e oferecemos estudos domiciliares. Para a popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica, seguimos com a recomenda\u00e7\u00e3o de polissonografias tipo 1, em laborat\u00f3rio. De fato, estudos domiciliares permitem acelerar o diagn\u00f3stico de alguns grupos, trazendo bons resultados e redu\u00e7\u00e3o de tempo para o recebimento de tratamento.<br \/>\nOutra demanda que vemos \u00e9 de pacientes com doen\u00e7as respirat\u00f3rias e com doen\u00e7as neurodegenerativas. A Dra. Martha Torres, chefe da cl\u00ednica no INER, tem uma grande popula\u00e7\u00e3o de pacientes com doen\u00e7as neurodegenerativas, principalmente Duchenne. Esses pacientes nascem aparentemente normais e em seu desenvolvimento come\u00e7am a ter problemas de mobilidade, a perder a capacidade de movimentar os membros, ter fraqueza muscular, especialmente ao n\u00edvel da caixa tor\u00e1cica, e t\u00eam problemas respirat\u00f3rios, n\u00e3o tanto obstrutivos, mas bastante restritivos. Para muitos familiares, \u00e9 muito dif\u00edcil transportar esses pacientes ao laborat\u00f3rio. A Dra. Martha Torres come\u00e7ou a estudar uma grande popula\u00e7\u00e3o desses pacientes a longo prazo. Ela identificou que muitos chegavam com doen\u00e7as complicadas \u00e0 \u00e1rea de pneumologia, pioravam em decorr\u00eancia da pneumonia e s\u00f3 eram encaminhados \u00e0 emerg\u00eancia quando j\u00e1 estavam muito comprometidos. O grupo de trabalho abriu uma consulta para esse tipo de popula\u00e7\u00e3o e identificou que esses pacientes t\u00eam problemas de apneia e reten\u00e7\u00e3o de CO\u00b2 durante o sono, principalmente durante o sono REM, porque come\u00e7am a ter problemas de hipoventila\u00e7\u00e3o noturna, e n\u00e3o durante o dia. Portanto, quando esses pacientes iam \u00e0 consulta neurol\u00f3gica e pneumol\u00f3gica, n\u00e3o apresentavam nenhum problema. Nos propusemos come\u00e7ar um estudo a cada seis meses para entender o ponto da doen\u00e7a quando os pacientes come\u00e7am a reter o CO\u00b2 no sono REM. Come\u00e7amos a dar suporte ventilat\u00f3rio nessas fases do sono, nos est\u00e1gios iniciais da doen\u00e7a. Os impactos foram redu\u00e7\u00e3o de custos tanto para a fam\u00edlia quanto para as institui\u00e7\u00f5es, pois h\u00e1 menos necessidade de ir ao servi\u00e7o de emerg\u00eancia e redu\u00e7\u00e3o de complica\u00e7\u00f5es. Ou seja, um bom diagn\u00f3stico com estudos simplificados \u00e9 algo vi\u00e1vel.<br \/>\nAtualmente, a Dra. Torres vem realizando um trabalho em que esses pacientes s\u00e3o valorizados de forma integral. Primeiro, fazem estudos simplificados de valida\u00e7\u00e3o no laborat\u00f3rio, para, posteriormente, conduzir os demais em casa, evitando o deslocamento frequente e reduzindo custos. Desta forma, trazemos para a cl\u00ednica apenas aqueles indiv\u00edduos que possuem outros tipos de doen\u00e7as, como, ELA (Esclerose Lateral Amiotr\u00f3fica), pacientes neuromusculares mais complicados, ou pacientes com movimentos associados ao sono.<\/p>\n<p><strong>NN: Na sua opini\u00e3o, at\u00e9 que ponto, os estudos domiciliares podem substituir os exames de laborat\u00f3rio do tipo 1 para uma pessoa, principalmente diante de uma realidade crescente de dist\u00farbios com o sono? <\/strong><br \/>\n<strong>MLG:<\/strong> Atualmente, observamos que n\u00f3s mesmos geramos nossos transtornos, por estarmos sacrificando o sono por raz\u00f5es sociais, pelo trabalho e, acima de tudo, pelo avan\u00e7o da tecnologia, como videogames, celulares e tablets. Estamos perdendo nossos ritmos circadianos de sono, sempre esperando para ver se chegou uma mensagem, se algu\u00e9m publicou algo, para rever as redes sociais. A luz \u00e9 um fator fundamental para induzir o sono, o principal rel\u00f3gio biol\u00f3gico para indicar que \u00e9 hora de ir dormir. E os est\u00edmulos luminosos criam confus\u00e3o no c\u00e9rebro e adiamos o sono at\u00e9 resultar em ins\u00f4nia. Entre os jovens, por exemplo, h\u00e1 um n\u00famero crescente se queixando de ins\u00f4nia ou de sonol\u00eancia diurna. E acabam tomando hipn\u00f3tico para dormir, porque n\u00e3o h\u00e1 como voltar ao ciclo anterior. Ou compensando o sono nos fins de semana. Hoje em dia, o que vemos s\u00e3o ciclos de sono multic\u00edclicos, nos quais as pessoas dormem quando podem ou querem. E tomam hipn\u00f3ticos para dormir ou ativadores do sistema nervoso central para mant\u00ea-las acordadas, o que n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel.<br \/>\nCom a possibilidade de exame tipo 2, domiciliar, conseguimos colocar um equipamento em um adolescente, deixar a noite toda, verificar o quanto ele acordou \u00e0 noite, quantas ativa\u00e7\u00f5es teve, identificar se h\u00e1 algum dist\u00farbio social relacionado ao sono, ver como o sono se comportou, que horas ele acorda e quantos cochilos tira durante o dia. Assim, conseguimos dar um tratamento mais preciso ao problema, que, provavelmente, \u00e9 decorrente de maus h\u00e1bitos de sono. Agora, sabemos que h\u00e1 um transtorno chamado s\u00edndrome do sono insuficiente e, se n\u00e3o damos \u00e0 pessoa um indutor do sono, acredito que, em longo prazo, pode haver consequ\u00eancias para a sa\u00fade.<br \/>\nOutros pacientes para quem a polissonografia domiciliar \u00e9 \u00fatil s\u00e3o aqueles que apresentam dist\u00farbios de movimento, epilepsia de dif\u00edcil controle associada ao sono, adolescentes que j\u00e1 tiveram parassonias e que chegam ao laborat\u00f3rio do sono e n\u00e3o apresentam nenhum tipo de parassonia. Isso acontece porque, sabendo que ser\u00e3o observados, \u00e9 mais dif\u00edcil que esses eventos ocorram em laborat\u00f3rio. Portanto, nesse tipo de popula\u00e7\u00e3o, fazer uma polissonografia tipo 2 em casa seria a melhor solu\u00e7\u00e3o. Assim como para atender pessoas que n\u00e3o tenham onde realizar a polissonografia, ou para aqueles pacientes que t\u00eam apneia e outras comorbidades, ou que j\u00e1 estejam em tratamento, mas que continuam com os sintomas; nestes pacientes \u00e9 poss\u00edvel encontrar outro tipo de parassonias associadas, principalmente ao sono REM, em uma polissonografia domiciliar.<\/p>\n<p><strong>NN: Em quais aspectos os m\u00e9dicos devem prestar aten\u00e7\u00e3o ao realizar a polissonografia domiciliar e \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados?<\/strong><br \/>\n<strong>MLG:<\/strong> Uma avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica abrangente e pr\u00e9via \u00e9 muito importante, pois ainda que exista uma alta preval\u00eancia e mais estudos em rela\u00e7\u00e3o aos transtornos respirat\u00f3rios associados ao sono, existem outros tipos de transtornos poss\u00edveis. H\u00e1 muitas ferramentas que podem ser usadas, como question\u00e1rios que evidenciem outros transtornos do sono associados, transtornos do movimento, queixas e sensa\u00e7\u00f5es estranhas nas extremidades, se h\u00e1 ocorr\u00eancia de movimentos, se isso acontece no in\u00edcio ou no final do sono. Todos os sintomas associados ao paciente nos d\u00e3o uma diretriz importante.<br \/>\nUma vez que o estudo \u00e9 realizado, alguns pontos devem ser observados. Primeiro, precisamos de um estudo com mais de seis horas de registro como ferramenta de diagn\u00f3stica, caso contr\u00e1rio, n\u00e3o servir\u00e1. Outro fator importante, \u00e9 ter pelo menos quatro horas de sono, com ao menos dois ciclos de sono, o sono n\u00e3o REM e o sono REM. Que sejam ciclos de sono completos, que os sinais de oximetria n\u00e3o se percam, que tenhamos pelo menos 80% dos sinais respirat\u00f3rios de boa qualidade, que tenhamos um bot\u00e3o de alerta, caso o paciente tenha alguma eventualidade, com a op\u00e7\u00e3o de pressionar o bot\u00e3o para ver esses sinais durante o registro. Algo que seria fundamental nos estudos em casa \u00e9 o v\u00eddeo, contribuiria muito e seria um grande apoio nos estudos de polissonografia.<br \/>\nTamb\u00e9m \u00e9 importante ter um t\u00e9cnico altamente qualificado, que conhe\u00e7a os sinais e saiba identificar os artefatos para quando o m\u00e9dico fizer a an\u00e1lise dos sinais registrados, garantindo sinais confi\u00e1veis e de alta qualidade t\u00e9cnica. Isso \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p><strong>NN: Voc\u00ea teve a oportunidade de trabalhar com os equipamentos da Neurovirtual, o BWIII PSG e o BWMini PSG. Voc\u00ea pode nos contar sobre sua experi\u00eancia com os equipamentos na parte de software, no servi\u00e7o t\u00e9cnico e na experi\u00eancia com a Neurovirtual em geral?<\/strong><br \/>\n<strong>MLG<\/strong>: Em compara\u00e7\u00e3o a outros equipamentos com as mesmas caracter\u00edsticas, a Neurovirtual tem muitas vantagens. Em termos de coleta, de como fazer o estudo, na facilidade de acessar o software, na forma de fazer a avalia\u00e7\u00e3o, na interpreta\u00e7\u00e3o, na facilidade de visualizar os eventos e de gerar os relat\u00f3rios. Mas, o que mais amo \u00e9 o suporte t\u00e9cnico, \u00e9 o mais sensacional que j\u00e1 vi. Por todo o tempo em que conhe\u00e7o a Neurovirtual, que j\u00e1 s\u00e3o v\u00e1rios anos.<br \/>\nEm geral, os t\u00e9cnicos se conectam \u00e0 m\u00e1quina e resolvem o problema muito rapidamente. Dentre as marcas de fornecedores de equipamentos de polissonografia aqui no M\u00e9xico, a Neurovirtual \u00e9 a que tem o melhor suporte t\u00e9cnico, eles nos respondem a qualquer hora, inclusive de madrugada. Isso \u00e9 incr\u00edvel.<br \/>\nAgora, tive a oportunidade de trabalhar com o BWMini PSG , o equipamento tipo 2. Me parece um equipamento revolucion\u00e1rio. Nos dedicamos a estudar qualquer patologia do sono, n\u00e3o s\u00f3 a respirat\u00f3ria. No entanto, tenho a sorte de trabalhar aqui neste centro, que, ouso dizer, \u00e9 um dos mais importantes em nosso pa\u00eds que lida com dist\u00farbios respirat\u00f3rios e \u00e9 por isso que eles s\u00e3o muito interessados em gases arteriais durante o registro do sono . O BWMini \u00e9 \u00f3timo porque eu posso fazer um estudo completo, toda a montagem 10-20 e mais. Algo que eu sempre pedia para ser feito em um equipamento tipo 2 era poder conectar sinais auxiliares, sinais de corrente el\u00e9trica. Como, por exemplo, di\u00f3xido de carbono, seja aspirado ou transcut\u00e2neo. Pelo tipo de popula\u00e7\u00e3o que temos aqui, isto \u00e9, os pacientes hipoventilados de quem comentei antes, por alguma outra comorbidade, ou os pacientes hipoventilados devido \u00e0 obesidade ou por alguma outra situa\u00e7\u00e3o, o fato de este equipamento ter a op\u00e7\u00e3o de conectar um capn\u00f3grafo e de podermos ver o sinal do estudo em casa \u00e9 simplesmente sensacional, o melhor que poderia ter proporcionado. Antes, t\u00ednhamos que levar um capn\u00f3grafo para a casa do paciente e pedir a um parente para fazer anota\u00e7\u00f5es. Agora, essa possibilidade de ter sinais de corrente cont\u00ednua \u00e9 um diferencial na polissonografia domiciliar.<br \/>\nIsso nos d\u00e1 muito mais informa\u00e7\u00f5es e podemos continuar com estudos domiciliares de tipo 2, principalmente em pacientes com parassonias associadas ao REM, idosos, ou em epilepsias de dif\u00edcil controle. A conveni\u00eancia de ter estudos prolongados que n\u00e3o demandem estar no laborat\u00f3rio o dia todo ou mais \u00e9 fundamental. A verdade \u00e9 que estou satisfeita e grata por terem oferecido a oportunidade de trabalhar com o BWMini PSG.<\/p>\n<p><strong>NN: Voc\u00ea recomenda a marca Neurovirtual\/Sleepvirtual para outros m\u00e9dicos, principalmente na \u00e1rea do sono e neurologia?<\/strong><br \/>\n<strong>MLG:<\/strong> Sim, eu recomendo, tanto aqui no INER como na UNAM, h\u00e1 um curso altamente especializado para m\u00e9dicos especialistas no campo da medicina do sono e muitos deles v\u00eam at\u00e9 mim e perguntam: que tipo de equipamento voc\u00eas compram ? E eu sempre falo da Neurovirtual. Eu digo se eles t\u00eam um problema, poder\u00e3o se comunicar com o suporte t\u00e9cnico e resolver\u00e3o. Sem d\u00favida, eu recomendo a Neurovirtual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Formada em biologia, ela estudou para se tornar t\u00e9cnica em polissonografia e medicina do sono na Escola de Medicina do Sono em Palo Alto, Calif\u00f3rnia. Obteve certifica\u00e7\u00e3o como RPSGT da Academia Mexicana de Pesquisa e Medicina do Sono, al\u00e9m de diploma em Dist\u00farbios Respirat\u00f3rios Durante o Sono, pelo Instituto Nacional de Enfermidades Respirat\u00f3rias (INER). 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