{"id":777857,"date":"2017-01-05T16:58:33","date_gmt":"2017-01-05T18:58:33","guid":{"rendered":"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/?p=777857"},"modified":"2017-03-30T13:29:33","modified_gmt":"2017-03-30T16:29:33","slug":"opiniao-o-diagnostico-e-o-tratamento-de-disturbios-de-sono-no-brasil-por-dr-geraldo-rizzo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/opiniao-o-diagnostico-e-o-tratamento-de-disturbios-de-sono-no-brasil-por-dr-geraldo-rizzo\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: O Diagn\u00f3stico e o tratamento  de Dist\u00farbios de Sono no Brasil por Dr. Geraldo Rizzo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/capa-geraldo-rizzo1.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-778050\" src=\"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/capa-geraldo-rizzo1.png\" alt=\"capa geraldo rizzo\" width=\"849\" height=\"231\" srcset=\"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/capa-geraldo-rizzo1.png 849w, https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/capa-geraldo-rizzo1-300x82.png 300w, https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/capa-geraldo-rizzo1-460x125.png 460w\" sizes=\"(max-width: 849px) 100vw, 849px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Neurovirtual News: O Doutor poderia se apresentar e contar um pouco da sua trajet\u00f3ria profissional?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Geraldo Rizzo:<\/strong>\u00a0Sou neurologista, especialista em medicina do sono. Graduei-me em 1976 na UFRGS e fiz resid\u00eancia em medicina interna e neurologia tamb\u00e9m aqui no Sul. Posteriormente, realizei um\u00a0<em>fellowship<\/em>\u00a0em neurologia na\u00a0<em>Duke University,<\/em>\u00a0na Carolina do Norte, EUA.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, em um dos tantos congressos de neurologia nos Estados Unidos, tive a oportunidade de conversar com o <em>Dean<\/em> da\u00a0<em>Harvard University<\/em>, o qual me incentivou a observar outras \u00e1reas da medicina, sobretudo a medicina de fam\u00edlia e a medicina do sono. Reputei que medicina de fam\u00edlia n\u00e3o era exatamente o meu ramo, e, como voc\u00eas bem sabem, o sono \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro, de modo que considerei a medicina do sono mais relacionada com a neurologia.<\/p>\n<p>Com esse \u00edmpeto, iniciei um treinamento em Memphis, no Tennessee, com o Doutor Helio Leme e, a partir da d\u00e9cada de 1990, constru\u00edmos e iniciamos um laborat\u00f3rio de sono aqui em Porto Alegre, no Hospital Moinhos de Vento, onde ainda trabalho. \u00c9 um laborat\u00f3rio pequeno que atualmente conta com dois leitos. O objetivo \u00e9 proporcionar um atendimento bem personalizado e de qualidade\u00a0aos nossos clientes, al\u00e9m de realizar um pouco de pesquisa cl\u00ednica. A parte de pesquisa tamb\u00e9m \u00e9 bem reduzida pelo tipo de clientela que temos. Em suma, essa foi a minha trajet\u00f3ria como neurologista at\u00e9 chegar na medicina do sono.<\/p>\n<p><strong>Neurovirtual News: Qual a principal dificuldade que m\u00e9dicos e pacientes encontram para tratar dist\u00farbios de sono no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Geraldo Rizzo:<\/strong>\u00a0Acredito que, se eu tivesse que dar uma resposta a essa pergunta, a principal dificuldade de m\u00e9dicos e pacientes no tratamento de dist\u00farbios de sono n\u00e3o seria a falta de laborat\u00f3rios e tampouco a falta de m\u00e9dicos, mas a desvaloriza\u00e7\u00e3o do sono. Atualmente, as pessoas se preocupam com dieta, tentam manter o peso, preocupam-se com atividade f\u00edsica, contratam um personal trainer&#8230;\u00a0 Todo mundo tem um profissional para cuidar do seu f\u00edsico, mas pouqu\u00edssimas pessoas se preocupam com o sono.<\/p>\n<p>Vivemos em uma sociedade 24 horas; no Brasil, mais do que em lugares desenvolvidos, as coisas s\u00e3o todas tarde. Em um bom restaurante, dificilmente jantamos antes das 22h, um show n\u00e3o tem in\u00edcio antes da meia-noite, assim como as discotecas e as baladas; tudo \u00e9 para afastar o sono. Portanto, essa desvaloriza\u00e7\u00e3o do sono \u00e9 o principal empecilho no tratamento ou no reconhecimento dos dist\u00farbios do sono, tanto de m\u00e9dicos como de pacientes.<\/p>\n<p><strong>Neurovirtual News: Como o Doutor avalia as pol\u00edticas p\u00fablicas e pesquisas na \u00e1rea de medicina do sono no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Geraldo Rizzo:<\/strong>\u00a0Bom, esses s\u00e3o dois assuntos que, na minha perspectiva, s\u00e3o muito incipientes. A pesquisa em sono no Brasil ainda \u00e9 pequena, existem poucos lugares que fazem pesquisa cl\u00ednica. E mesmo esse tipo de pesquisa \u00e9 muito mais cl\u00ednica do que voltada \u00e0 \u00e1rea b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas, o controle de motoristas obesos ou motoristas com tend\u00eancia \u00e0 apneia do sono ocasionou grande esperan\u00e7a em n\u00f3s, m\u00e9dicos do sono. Nos casos em que h\u00e1 acidente que possa ter sido causado por conta de sono no volante,\u00a0 o m\u00e9dico atendente\u00a0 deve fazer uma s\u00e9rie de exames, entre os quais a polissonografia. Entretanto, o que se observa \u00e9 que s\u00e3o rar\u00edssimos os m\u00e9dicos do tr\u00e2nsito e dos locais para renova\u00e7\u00e3o de carteira que fazem uma anmanese do paciente voltada para a \u00e1rea do sono. O sono no volante \u00e9 uma calamidade, chega a atingir 30% dos motoristas, mas ainda h\u00e1 pouco investimento voltado a\u00a0 \u00a0avaliar um indiv\u00edduo adequadamente e prevenir um acidente secund\u00e1rio \u00e0 sono no volante. Portanto, considero que as pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o tamb\u00e9m muito incipientes na \u00e1rea do sono.<\/p>\n<p><strong>Neurovirtual News: O Doutor acredita que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o tem acesso a tratamento de dist\u00farbios do sono?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Geraldo Rizzo:<\/strong>\u00a0Por um lado, h\u00e1 que se considerar que grande parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o tem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e tampouco \u00e0 sa\u00fade em geral, muito menos \u00e0 medicina do sono. Por outro, eu diria que nas grandes cidades h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o ter acesso a centros de tratamento de dist\u00farbios do sono.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o qual \u00e9 o problema? N\u00e3o basta ter um centro de dist\u00farbio do sono, acredito que somente 1 em cada 10 indiv\u00edduos com queixa de sono procura um m\u00e9dico para tratar do problema. N\u00e3o h\u00e1 demanda expressiva para tratar de dist\u00farbios de sono. A maior procura est\u00e1 voltada para o tratamento de dist\u00farbios respirat\u00f3rios de sono, um dos transtornos em que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio equipamento. Com uma boa anamnese e boa avalia\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico num consult\u00f3rio, resolve-se a maioria dos dist\u00farbios, sem equipamento.<\/p>\n<p>Entretanto, outros dist\u00farbios precisam de equipamento e para esses h\u00e1 uma demanda reprimida. Acredito que justamente isso possa ter originado esse tipo de pergunta: se a maioria das pessoas t\u00eam acesso a exames de sono. \u00a0Eu diria que n\u00e3o. Mas elas t\u00eam acesso a m\u00e9dicos que podem lidar com o sono, contudo, conforme j\u00e1 argumentado,\u00a0 elas n\u00e3o procuram.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dr. Geraldo Rizzo - Neurologista Porto Alegre - Brazil\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/luraPKkzmlM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neurovirtual News: O Doutor poderia se apresentar e contar um pouco da sua trajet\u00f3ria profissional? Geraldo Rizzo:\u00a0Sou neurologista, especialista em medicina do sono. Graduei-me em 1976 na UFRGS e fiz resid\u00eancia em medicina interna e neurologia tamb\u00e9m aqui no Sul. Posteriormente, realizei um\u00a0fellowship\u00a0em neurologia na\u00a0Duke University,\u00a0na Carolina do Norte, EUA. 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