{"id":333664,"date":"2015-10-08T00:00:30","date_gmt":"2015-10-08T03:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/?p=333664"},"modified":"2020-02-19T19:05:33","modified_gmt":"2020-02-19T22:05:33","slug":"entrevista-com-dra-elza-yacubian","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/entrevista-com-dra-elza-yacubian\/","title":{"rendered":"Entrevista com Dra. Elza Yacubian"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/banner-Elza-Yacubian_site-BR.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-335290\" src=\"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/banner-Elza-Yacubian_site-BR.jpg\" alt=\"banner Elza Yacubian_site BR\" width=\"805\" height=\"219\" srcset=\"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/banner-Elza-Yacubian_site-BR.jpg 805w, https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/banner-Elza-Yacubian_site-BR-300x82.jpg 300w, https:\/\/neurovirtual.com\/br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/banner-Elza-Yacubian_site-BR-460x125.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 805px) 100vw, 805px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Considerado um importante dist\u00farbio neurol\u00f3gico, a Epilepsia atinge adultos e crian\u00e7as em todo o mundo, de diferentes idades e em diversas fases da vida. Segundo dados da OMS \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, estima-se que cerca de 1 a 3% da popula\u00e7\u00e3o mundial seja afetada por esta doen\u00e7a.<br \/>\nA avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica realizada por profissionais especializados, o correto diagn\u00f3stico do tipo de Epilepsia e a defini\u00e7\u00e3o do tratamento mais adequado s\u00e3o fundamentais para garantir qualidade de vida aos pacientes acometidos por este dist\u00farbio.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Pra conhecer um pouco mais sobre a Epilepsia, o Neurovirtual News entrevistou a chefe da Unidade de Pesquisa e Tratamento das Epilepsias do Hospital S\u00e3o Paulo, Professora Dra. Elza M\u00e1rcia Yacubian:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Profa. Elza Yacubian, o que \u00e9 Epilepsia?<br \/>\nA Epilepsia \u00e9 uma doen\u00e7a que se caracteriza pela ocorr\u00eancia de crises epil\u00e9pticas espont\u00e2neas ou provocadas por alguns est\u00edmulos, denominadas crises reflexas, como as provocadas por luz intermitente. De modo geral, podemos dizer que h\u00e1 crises focais, as quais envolvem redes neuronais restritas a uma regi\u00e3o cerebral, geralmente decorrentes de les\u00f5es estruturais, e generalizadas, nas quais a hiperexcitabilidade neuronal \u00e9 difusa e de causa possivelmente gen\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Qual \u00e9 o conjunto de sintomas que permite a comprova\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico<br \/>\nde Epilepsia?<br \/>\nO diagn\u00f3stico de Epilepsia \u00e9 cl\u00ednico e a hist\u00f3ria e a caracteriza\u00e7\u00e3o semiol\u00f3gica das crises epil\u00e9pticas, conforme a descri\u00e7\u00e3o do paciente e de uma testemunha dos eventos, s\u00e3o fundamentais para o diagn\u00f3stico. Elas podem ser complementadas pelo registro eletroencefalogr\u00e1fico e exames de neuroimagem, estrutural e funcional.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Existe alguma pr\u00e9-disposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para a ocorr\u00eancia da Epilepsia nos<br \/>\nindiv\u00edduos, ou \u00e9 algo adquirido atrav\u00e9s de eventos variados? Quais s\u00e3o os principais?<br \/>\nSim, h\u00e1 um componente gen\u00e9tico na Epilepsia. Esta \u00e9 uma \u00e1rea na qual tem havido significativo avan\u00e7o nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Estudo de fam\u00edlias com m\u00faltiplos indiv\u00edduos afetados tem permitido a descoberta de genes que determinam v\u00e1rias formas de Epilepsia. O estudo de fam\u00edlias afetadas determina o risco de recorr\u00eancia, o qual, para Epilepsias generalizadas \u00e9 aumentado em 4 a 9 vezes; para Epilepsias focais em 2-3 e para crises febris em 3-5. Estudos de g\u00eameos atestam a concord\u00e2ncia maior para Epilepsia em g\u00eameos monozig\u00f3ticos em compara\u00e7\u00e3o aos dizig\u00f3ticos. Para Epilepsias generalizadas (o,8 versus 0,3); para Epilepsias focais (0,4 versus 0,03) e para crises febris (0,6 versus 0,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Fisicamente, como se explica o dano no c\u00e9rebro que caracteriza a Epilepsia?<br \/>\nAs etiologias mais comuns das crises focais s\u00e3o \u00e1reas cicatriciais cerebrais (chamadas \u2018gliose\u2019), malforma\u00e7\u00f5es do desenvolvimento cerebral, infec\u00e7\u00f5es, altera\u00e7\u00f5es vasculares, tumores, entre muitas outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Existe algum tipo de rela\u00e7\u00e3o entre a Epilepsia e os dist\u00farbios do sono?<br \/>\nSim. O sono acentua a frequ\u00eancia de descargas epileptiformes na maioria das formas de Epilepsia. Crises focais s\u00e3o mais frequentes em per\u00edodos de relaxamento e sono. Crises generalizadas, por sua vez, s\u00e3o tamb\u00e9m chamadas \u2018crises do despertar\u2019 e costumam ocorrer at\u00e9 duas horas ap\u00f3s o despertar, independente do hor\u00e1rio do dia, sendo mais facilmente desencadeadas por priva\u00e7\u00e3o de sono.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quais os tipos de crises epil\u00e9ticas mais desafiadoras, do ponto de vista fisiol\u00f3gico (localiza\u00e7\u00e3o \/ caracter\u00edsticas no c\u00e9rebro) e para defini\u00e7\u00e3o do tratamento adequado?<br \/>\nCrises epil\u00e9pticas s\u00e3o fen\u00f4menos complexos e todas elas nos oferecem significativos desafios. Al\u00e9m disto, suas express\u00f5es s\u00e3o dependentes da matura\u00e7\u00e3o cerebral.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Crises em lactentes s\u00e3o diferentes das crises de crian\u00e7as e estas das de adultos, as quais tamb\u00e9m apresentam peculiaridades em idosos. A caracteriza\u00e7\u00e3o eletrocl\u00ednica de cada uma destas formas exige consider\u00e1vel conhecimento especializado assim como de suas formas de investiga\u00e7\u00e3o e de tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quais s\u00e3o os procedimentos \/ protocolos recomendados para que seja realizado o diagn\u00f3stico conclusivo de Epilepsia?<br \/>\nAlgumas vezes o diagn\u00f3stico cl\u00ednico \u00e9 suficiente. Muitas vezes o mesmo \u00e9 fortalecido pelos achados eletroencefalogr\u00e1ficos e de neuroimagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Existe tecnologia dispon\u00edvel no pa\u00eds para apoio aos m\u00e9dicos no diagn\u00f3stico adequado da Epilepsia?<br \/>\nCrises epil\u00e9pticas s\u00e3o fen\u00f4menos el\u00e9tricos e assim, muitos t\u00eam desenvolvido significativos esfor\u00e7os no desenvolvimento de sistemas de registro destes paroxismos el\u00e9tricos nas \u00faltimas d\u00e9cadas. H\u00e1 ainda uma necessidade imperiosa de aperfei\u00e7oamento destes sistemas de registro para a expans\u00e3o de servi\u00e7os dedicados \u00e0s centenas de milhares de brasileiros com crises epil\u00e9pticas que deles necessitam neste pa\u00eds continente, a um custo acess\u00edvel \u00e0 nossa realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quais s\u00e3o os tratamentos mais indicados para o controle da Epilepsia?<br \/>\nS\u00e3o os f\u00e1rmacos antiepil\u00e9pticos, os quais, a partir de 1912 com o advento do fenobarbital, mudaram significativamente as perspectivas de vida de pessoas com Epilepsia. O desenvolvimento de novos f\u00e1rmacos a partir de 1990 com perfis farmacocin\u00e9ticos mais adequados, melhorou ainda mais as perspectivas terap\u00eauticas. N\u00e3o h\u00e1 como comparar a vida das pessoas com Epilepsia que viveram no s\u00e9culo 19 com a das que vivem no s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em que casos s\u00e3o recomendados as cirurgias para tratamento?<br \/>\nCirurgias s\u00e3o recomendadas para pessoas com crises epil\u00e9pticas refrat\u00e1rias, definidas como a persist\u00eancia de crises a despeito da utiliza\u00e7\u00e3o de dois f\u00e1rmacos antiepil\u00e9pticos adequadamente prescritos pelo m\u00e9dico e usados pelo paciente. A indica\u00e7\u00e3o cir\u00fargica \u00e9 dependente da localiza\u00e7\u00e3o precisa da zona epileptog\u00eanica e do balan\u00e7o entre os riscos e benef\u00edcios esperados do procedimento cir\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quantos centros especializados em Epilepsia existem atualmente no Brasil?<br \/>\nH\u00e1 alguns, localizados principalmente nas regi\u00f5es sul e sudeste os quais, apesar de terem possibilitado um significativo avan\u00e7o na assist\u00eancia, ensino e pesquisa em Epilepsia, est\u00e3o ainda muito longe de permitirem o atendimento adequado dos brasileiros com Epilepsia que necessitam deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Qual deve ser a forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para o desenvolvimento de especialistas em Epilepsia?<br \/>\nA forma\u00e7\u00e3o de um epileptologista \u00e9 complexa e deve ser realizada ap\u00f3s a resid\u00eancia de neurologia ou neuropediatria. Em geral, h\u00e1 necessidade de treinamento por pelo menos um ano para o aprendizado de eletroencefalografia e epileptologia cl\u00ednica e pelo menos mais um ano de treinamento em Unidades de Monitoriza\u00e7\u00e3o de Epilepsia, nas quais s\u00e3o avaliados casos mais complexos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quais s\u00e3o os principais objetivos do departamento de pesquisa em Epilepsia da Unifesp?<br \/>\nA Unidade de Pesquisa e Tratamento das Epilepsias faz parte do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da UNIFESP. Congrega uma equipe multidisciplinar composta por epileptologistas (especialistas e em especializa\u00e7\u00e3o), psiquiatras, neurocirurgi\u00f5es, neuropsicol\u00f3gos, enfermeiros (os quais s\u00e3o t\u00e9cnicos em eletroencefalografia), assistentes sociais entre outros profissionais necess\u00e1rios para o desenvolvimento da assist\u00eancia, ensino e pesquisa nesta especialidade do Departamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Existe alguma institui\u00e7\u00e3o que promove o desenvolvimento cient\u00edfico desta \u00e1rea no pa\u00eds?<br \/>\nA cria\u00e7\u00e3o de Centros de Epilepsia pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no Brasil a partir de 1990 permitiu um avan\u00e7o significativo em nossa especialidade, a qual \u00e9 uma das \u00e1reas de pesquisa de maior destaque na Neurologia Brasileira. Seu valor \u00e9 atestado por um grande n\u00famero de pesquisas e publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas internacionais.<\/p>\n<p>Elza M\u00e1rcia Yacubian<br \/>\nProfessora Livre Docente do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da UNIFESP.<br \/>\nChefe da Unidade de Pesquisa e Tratamento das Epilepsias do Hospital S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u014des sobre equipamentos de diagn\u00f3stico em Neurologia <a href=\"https:\/\/neurovirtual.com\/br\/segmentos\/neurologia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">click aqui.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerado um importante dist\u00farbio neurol\u00f3gico, a Epilepsia atinge adultos e crian\u00e7as em todo o mundo, de diferentes idades e em diversas fases da vida. Segundo dados da OMS \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, estima-se que cerca de 1 a 3% da popula\u00e7\u00e3o mundial seja afetada por esta doen\u00e7a. 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